Terça-feira, 25 de Abril de 2006
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.


Olá!Desculpem a demora para actualizar... Hoje apeteceu-me colocar aqui um excerto que eu adoro (capítulo XXI d'"O Principezinho").Foi então que apareceu a raposa- - Olá, bom dia! - disse a raposa. - Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém. - Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira. - Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita... - Sou uma raposa - disse a raposa. - Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste... - Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa... - Ah! Então, desculpa! - disse o rpincipezinho. Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar: - O que é que "estar preso" quer dizer? - Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura? - Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer? - Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas? - Não - disse o principezinho. - Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer? - É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém. - Laços? - Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo... - Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que estou preso a ela... - É bem possível - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra... - Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho. A raposa pareceu ficar muito intrigada. - Então, é noutro planeta? - É. - E nesse tal planeta há caçadores? - Não. - Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas? - Não. - Não há bela sem senão... - disse a raposa. Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia: - Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo... A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho. - Por favor... Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer. - Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer... - Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti! - E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho. - É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto... O principezinho voltou no dia seguinte. - Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais. - O que é um ritual? - perguntou o principezinho. - Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais una aos outros e eu nunca tinha férias. Foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida: - Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar... - A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim... - Pois quis - disse a raposa. - Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho. - Pois vou - disse a raposa. - Então não ganhaste nada com isso! - Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo... Depois acrescentou: - Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no muno. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. O principezinho lá foi ver as rosas outra vez. - Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo. E as rosas ficaram bastante incomodadas. - Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei. Porque foi a ela qeu eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi a ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (pelo menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa. E então voltou para o pé da raposa e disse: - Adeus... - Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. -Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais esquecer. - Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por tudo o que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa... - Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.Este excerto é de um dos livros que mais gostei de ler até hoje: "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry.Acho que transmite uma mensagem muito verdadeira... só vemos bem se virmos com o coração... Acho que tenho de começar a analisar melhor certas coisas que acontecem na minha vida.Beijos!*****
sinto-me: 
confusa
música: "Beauty and the Beast" - Celine Dion
Terça-feira, 18 de Abril de 2006
Memórias de um louco...

Olá!
Apeteceu-me começar a postar no meu blog em espírito de grande loucura, por isso acho que não há nada melhor do que este texto cuja autoria desconheço, mas que é bem louco...
Memórias de um louco
Era uma vez uma linda noite, o sol brilhava entre as trevas. Um homem nu de mão no bolso, sentado em pé numa pedra de pau, à sombra de uma árvore sem folhas, ouvia um mudo dizer consigo mesmo aos seus companheiros: "Prefiro mil vezes morrer do que perder a vida."
Bem perto, longe dali, próximo a um bosque sem árvores, os passarinhos pastavam e as vacas pulavam de galho em galho alegremente tristes à procura dos seus ninhos, os elefantes descansavam à sombra de um pé de alface, e um cego via um aleijado correr atrás de um carro parado.
Corri vagarosamente depressa para minha casa. Passei a noite em claro, pois esqueci-me de apagar as luzes. Logo às 11 horas da madrugada fui a um veterinário que me disse que eu estava com a língua do sapato estragada. Montei nas minhas costas e saí galopando pelas ondas rectas de um deserto incandescente até chegar à porta da frente dos fundos da minha casa.
Entrei, deitei o meu paletó na cama e pendurei-me no cabide onde dormi um sono. Sonhei que estava acordado, acordei para ver se estava a dormir. Levantei-me vagarosamente rápido, dei marcha ré no ventilador e rumei para o banheiro, onde fui servir-me um almoço. Levantei carinhosamente os pés até à mesa, depois senti um gosto estranho na minha boca, pois havia comido o guardanapo e limpo a boca com o bife.
Ao meu lado, um cego lia um jornal sem letras, cujas palavras assim diziam: "Os quatro profetas do apocalipse são três: Jacob e Jeremias."
Conseguem imaginar algo mais louco do que isto??? Acho difícil... quem escreveu isto devia estar num dia de grande loucura.
Comentem...
sinto-me: 
divertida e um pouco louca...
música: "Eu me amo"